Review | Resident Evil 3

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Resident Evil 3 foi um dos jogos que marcaram minha infância, muito pelo meu medo constante de zumbis e outras obras de terror, mas também porque foi a partir desse jogo específico que comecei a conhecer a série Resident Evil. Apenas ouvir o barulho do Nemesis gritando “S.T.A.R.S!” já me causava arrepios na espinha, coisa de largar o controle e entregar para o meu primo. Desde então, comecei a ser co-op em jogos de terror apenas para observar como se jogava jogos assim, até ter coragem para terminar meu primeiro Resident Evil completamente sozinho.

Com essa essas lembranças que começo essa análise dizendo que Resident Evil 3 foi sim uma experiência nostálgica. Rever Jill Valentine com toda sua característica de heroína em uma Raccoon City completamente devastada, porém conhecida e em alta resolução, foi algo de encher os olhos de lágrimas.

Quando a Capcom anunciou em 2015 o Remake de Resident Evil 2, logo fiquei esperançoso de que a partir daí poderia vir o Remake de Resident Evil 3. Resident Evil 2 foi uma grata surpresa que trouxe uma experiência completamente inovadora e imersiva para os fãs da série, trazendo uma jogabilidade que mistura ação com Survival Horror, fazendo com que muitos o escolhessem como um dos melhores jogos de 2019. Após esse sucesso estrondoso, a comunidade pedia por Resident Evil 3 e petições eram criadas para que tivesse uma continuação seguindo os moldes e o sucesso que foi com Resident Evil 2.

A partir daí, diversos rumores começavam a circular a respeito de um próximo jogo, até que finalmente a Capcom revela que Resident Evil 3 sairia no começo de 2020.

Passada toda essa explicação, vamos para a análise do jogo em si.

Jogabilidade robusta

A série vem em uma crescente desde Resident Evil 7, lançado em 2017. Procurando meios de encontrar uma jogabilidade que possa compreender um lado mais de ação sem perder a essência do Survival Horror já tão conhecido. Dito isso, em meios de jogabilidade, Resident Evil 3 é uma evolução natural do que foi visto em Resident Evil 2. A câmera por cima dos ombros deixando o campo de visão maior, porém aterrorizante pois não é capaz de se  ver nada que está atrás, então, de repente um inimigo surge e o ataca, isso faz com que seja necessário estar sempre atento aos arredores.

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E estar em uma Raccoon City expandida, repleta de Zumbis o fará estar sempre atento, pode acreditar. Nesse jogo, a mecânica de tiro e movimentação funcionam talvez até melhor do que vimos em seu antecessor, pois os ambientes abertos facilitam um pouco na hora de atirar e de desviar de um grupo de inimigos, pois os mapas mais abertos facilitam em elaborar estratégias para que não seja necessário gastar munição.

Uma adição excelente para o título é a esquiva, aqui chamada como “finta”, que faz com que Jill e Carlos possam dar uma corrida rápida para os lados, para frente ou para trás com o apertar de um botão. Essa mecânica já conhecida do jogo original, mas que era dificilmente executada, aqui funciona de forma simples, mas que é essencial para sobrevivência para escapar dos inimigos nos cenários. Há também a adição de golpes especiais que podem ser realizados se a esquiva for perfeita, ou seja, executar a finta no momento exato que o inimigo for atacar, fazendo com que Carlos e Jill executem ações como: Deixar o tempo devagar e poder atirar a vontade com  a Jill e um soco  forte em inimigos os derrubando no caso de Carlos.

Raccoon City: uma cidade em ruínas

Sabe as salas claustrofóbicas e espaços mínimos que faziam da delegacia um lugar sinistro em Resident Evil 2? Aqui é um pouco diferente. Os corredores fechados agora dão lugar a ambientes urbanos abertos, com ruas lotadas de inimigos, com grupos de até 6 ou 7 inimigos. Mas como um agente treinado da S.T.A.R.S, você precisa usar sua experiência para se sobrepor a essas ocasiões, e o jogo é bem generoso nesse quesito. Frequentemente o jogador encontrará barris explosivos que podem explodir um grupo inteiro de inimigos e até mesmo geradores de energia, capazes de paralisar os inimigos por alguns instantes após sofrerem uma descarga elétrica.

Agora a faca não quebra mais(graças a deus), e as granadas agora não servem para fugir dos inimigos . No lugar, foi adicionado um botão de ação, que ao ser pressionado rapidamente, poderá livrar o jogador de agarrões dos inimigos.

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As armas mortais da Umbrella: Nemesis e outros inimigos

Todo fã de Resident Evil já ouviu e teme o nome Nemesis, e não é para menos. A criatura vem assombrando a vida dos jogadores desde 1999, e em 2020 um Nemesis tão terrível e implacável aguarda pelos jogadores. Nemesis é, podemos dizer, uma versão melhorada do Mr. X encontrado em Resident Evil 2. Enquanto um apenas corria atrás dos jogadores e utilizava de golpes para derruba-los, aqui Nemesis tem uma inteligência artificial bem melhorada e  consegue utilizar de tentáculos para puxar Jill para perto dele para derruba-lá, socos fortes, chutes, super saltos para chegar até ela, além é claro de suas armas, e pode apostar que o arsenal do monstro é “pesado”. Agora o inimigo além de ter o já conhecido lança-foguetes tem também uma arma que atira fogo, deixando tudo muito mais frenético. No momento que o jogador o vir, será preciso muita habilidade e coragem para enfrentar o monstrengo.

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Há outros monstros também que valem muito apena serem citados. Alguns já conhecidos e outros novos, como é o caso do Ne-Alpha, um zumbi infectado pelo Nemesis. Os Drains Deimons também aparecem em grupos maiores e agora infectam Jill com o status de “Parasita”, fazendo necessário o uso de uma erva verde para se livrar.

Os Hunters também estão perigosos como nunca e absurdamente ágeis. Existe uma espécie de Hunter já conhecido da série, porém, para não estragar a surpresa dos jogadores, vou me limitar a dizer quem é.

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História refeita, com ligações e expansiva

Resident Evil 3 teve seu roteiro completamente refeito do 0, fazendo com que a trama do jogo seja concisa do início ao fim, ao contrário de Resident Evil 2 que se perdia em algumas partes e que os deixava jogadores com diversas dúvidas por erros de continuidade. Resident Evil 3, além de ter um roteiro bem feito, preenche lacunas deixadas pelo antecessor. Agora Jill tem uma personalidade forte, empoderada e cativante. Torcemos para ela desde o início, e quando a personagem passa por momentos de desespero, torcemos para que ela consiga se sair bem. Carlos também passou por uma reformulação. Agora o personagem além de ter um destaque maior, sua personalidade não é mais a de apenas um coadjuvante que usa de cantadas para provocar Jill, o personagem agora é um herói que fará de tudo para auxiliar a companheira.

Outros personagens como o grupo da  UBCS também tiveram seus papéis expandidos, e até mesmo os arquivos complementam a história. No geral, todos os personagens tiveram sua devida relevância nesse novo jogo, fazendo com que o jogador se importe com cada um deles(ou nem todos).

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Gráficos de ponta

Resident Evil 3 tem sem dúvida um dos melhores gráficos da franquia e é uma experiência maravilhosa de acompanhar. O jogo roda em alta resolução e em 60 fps nas plataformas e mesmo jogando na qualidade máxima no PC o jogo teve apenas algumas quedas em partes específicas.

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A trilha sonora também é algo a se aplaudir. Mesmo em ambientes mais abertos, a trilha escolhida dá ao jogo exatamente o tom que necessita, mesmo o terror não sendo o foco nessa continuação.

Alguns cortes de conteúdo

Mesmo sendo primoroso em questões técnicas e gráficas, Resident Evil 3 sofreu de um mau súbito, o conteúdo.

Cenários famosos e alguns inimigos muito aguardados pelos fãs são deixados de lado na reimaginação, como: corvos, a minhoca gigante Gravedigger, cenários do parque e cemitério e a icônica Torre do Relógio. Sim, não há Torre do Relógio em Resident Evil 3. Os puzzles, por exemplo, são algo que deixam a desejar. No jogo inteiro você encontrará pouquíssimos puzzles e os que estão no jogo são de fácil resolução. Isso pode fazer com que alguns jogadores se sintam frustrados, pois a retirada de algo tão característico na série perde seu foco aqui. Alguns cenários foram remodelados e expandidos, como é o caso da usina de energia que agora parece mais um labirinto e ficou magistral.

Porém, o conteúdo que sofreu maiores alterações foi a duração da campanha que é extremamente curta. Em uma jogatina, talvez seja possível terminar o jogo em apenas 5 horas, e diferente do que aconteceu com Resident Evil 2, aqui não existe nenhuma campanha extra. Mas se esquecermos esse detalhe, o jogo em si é pode ser muito bem aproveitado em sua duração, tendo uma jogabilidade que faz com que você queira tentar coisas novas.

Alguns extras para re-jogar

Resident Evil 3 pode não ter a campanha mais duradoura de todas, mas ainda existe um fator replay. Após terminar a campanha pela primeira vez, o jogador desbloqueia a loja, que possui armas e outros itens que podem ser adquiridos ao trocar pontos que são conseguidos ao terminar a campanha. Além disso, novos níveis de dificuldade são desbloqueados, fazendo com que o jogador possa gastar seus pontos na loja, adquirir novos itens e testa-los em novos níveis de dificuldade.

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Vale a pena?

Resident Evil 3 é um jogo diferente do que foi o original de 1999 e diferente e aperfeiçoado em alguns aspectos do que havia sido Resident Evil 2. Sua campanha mais curta, além da redução de Puzzles, o pouco backtracking e a ausência de cenários e monstros característicos podem afastar alguns jogadores. A experiência do jogo em si no quesito jogabilidade é muito prazerosa e talvez, arriscar algumas horas de jogatina em dificuldades mais elevadas, possam deixar o jogo um pouco mais atrativos para os jogadores. Para finalizar, gostaria de recomendar  o jogo para os fãs que já conhecem a história e querem ver algo graficamente poderoso com uma jogabilidade fluída e para os novos jogadores que gostariam de conhecer a obra, mesmo tendo seus pontos negativos ainda é um jogo que pode ser apreciado.

A análise so foi possível graças a uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Capcom.

Resident Evil 3 está disponível para Playstation 4, Xbox One e PC.

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